Nos degraus de um moinho de Santa Cruz,
eis o poema de Ruy Belo à flor da pele,
sobre igrejas, ruínas, postais decrépitos,
uma rapariga à janela num único esgar
todo um mundo que aparece e desaparece,
a Primavera tímida nada esclarecida,
tingida pela coloração possível dos pássaros.
sábado, 20 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Baía do Canto
À semelhança dos leões de Naxos,
nas cíclades, invadidos pelas
ervas e silvas, afigura-se por aqui
outro tempo de virtudes e galhardias.
nas cíclades, invadidos pelas
ervas e silvas, afigura-se por aqui
outro tempo de virtudes e galhardias.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Como um Peixe Prateado no Verão
A língua confundida
é de uma graciosidade tamanha
perdido nome escrito a ocidente
em azul quebra ao longe o horizonte
um peixe prateado se agita
traz o rumor de outras tantas viagens
promessas de amoras bravas no verão
e o que seria da ilha e do mar
se a água transbordasse?
é de uma graciosidade tamanha
perdido nome escrito a ocidente
em azul quebra ao longe o horizonte
um peixe prateado se agita
traz o rumor de outras tantas viagens
promessas de amoras bravas no verão
e o que seria da ilha e do mar
se a água transbordasse?
Douta Melancolia
Trazes contigo a locomotiva
douta melancolia a resistir
às virtudes do vento e do azul
algumas linhas no céu plangente
cartas escritas sem destinatário
silenciosos dias amortalhados
de tudo o que não se é capaz de dizer.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Opereta da Montanha
O que direi à montanha?
O que direi?
Se eu me cobrir de basalto
De sementes e de vinhas
De centeio e de milho
Virão frutos virá pão
Licores e vinho novo
Na esteira da subida
O que direi à montanha?
O que direi?
Se eu me cobrir de neblina
Como barcos de Santo Amaro
E figueiras de Santa Luzia
E de São Roque virá trigo
No sulco da descida
O que direi à montanha?
O que direi?
Dos sopros e marés
É rasgar à ventania
Acalmar fogos, tempestades
Como albarcas voadoras
Cem baleias triunfantes
E remar à acalmia
sábado, 13 de outubro de 2012
Postal de Pim
Deixei-me levar
ao céu aberto
a tua baía
ao céu aberto
a tua baía
é o meu deserto
Aceita o postal
em azul sincero
num sol discreto
olhar baleeiro
em azul sincero
num sol discreto
olhar baleeiro
Deixei-me guiar
ao monte queimado
o verde tão verde
no mar espelhado
ao monte queimado
o verde tão verde
no mar espelhado
Rasga o postal
na vaga de incêndio
em voo rasante
à fábrica ausente
na vaga de incêndio
em voo rasante
à fábrica ausente
Deixei-me tocar
pelo negro basalto
à urze tão densa
nenhum desespero
pelo negro basalto
à urze tão densa
nenhum desespero
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